segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Joinville em 2010,por Apolinário Ternes*

Foi um ano de justificativas, acima de tudo. Explicações o tempo todo para a realização de quase nada, ou o adiamento permanente de quase tudo. Dá para eleger um fato-símbolo do tempo presente em Joinville: o desmoronamento do teto da biblioteca pública, no dia 20 de setembro. O que exigiria ação efetiva de 15 dias, com a rápida substituição das madeiras podres se transformou em um ícone da administração. Muito ao contrário de providências imediatas e possíveis para a “maior” Prefeitura do Estado, a primeira providência do poder público foi não tomar nenhuma providência. Assim, ao invés de rápida recuperação, pensou-se em projeto para a busca de verbas em Brasília. (A Prefeitura não tem dinheiro para comprar madeira e prego?)

A biblioteca permanece fechada, está sendo transferida para outro local e promete-se reforma de R$ 1,5 milhão em dois anos. Os joinvilenses podem apostar que a obra não será concluída nos dois anos restantes do governo do PT. Fica para o próximo prefeito. Dane-se a população, uma banana para os leitores e outra aos contribuintes.

O cenário da reforma da biblioteca se repete em todas as demais áreas, especialmente na cultura. Ali, os prédios públicos estão caindo aos pedaços e continuam assim – meses e meses – à espera de projetos e verbas. Fala-se em planejamento e democratização da cultura, mas trata-se de pura falácia. O governo promove brutal retrocesso na área da cultura. Silvestre Ferreira, presidente da Fundação Cultural de Joinville, por sua trajetória pessoal, não merece a colheita que está fazendo. Mas contra fatos não há argumentos.

Nas demais áreas, é preciso destacar que com orçamento de pouco mais de um R$ 1 bilhão, o governo municipal conseguiu recuperar – integralmente! – as calçadas em torno do batalhão. As pedras foram doadas por empresa da cidade e a mão de obra foi colaboração dos soldados da unidade do Exército. A Prefeitura entrou com anúncios “cacarejando” o que não fez.

Na área da saúde, permanecem as desculpas dos governos anteriores, e pouco foi feito. A medicina nuclear do São José continua “quase pronta”, como há dez anos. Em matéria de saneamento, avança-se, mas apenas em 50% do prometido e garantido por verbas de cima. Na área do urbanismo, reconheça-se que a Prefeitura inaugurou semáforos e trocou a mão de algumas ruas. O terceiro turno, na rede municipal de ensino, mesmo com quatro escolas inauguradas, se mantém em algumas unidades. Como esperado, nenhum parque em dois anos. Mesmo com verba garantida, o parque da Boa Vista teve a obra paralisada e ninguém sabe se irá continuar.

Como o campus da UFSC não sairá antes de 2015; como a duplicação da Dona Francisca só em 2020; o novo aeroporto ficará mesmo para depois da Copa de 2014 e a recuperação da avenida Santos Dumont para o próximo governo, constata-se que 2010 foi de retrocesso para Joinville. E ainda perdemos o governador, secretários e representatividade em Florianópolis e Brasília, pois Santa Catarina optou pela oposição. De bom mesmo, o caminhão da Finlândia para os bombeiros. Um presente patrocinado pelo ex-governador Luiz Henrique da Silveira. Aplausos! Eles merecem.

*Apolinário Ternes é historiador e jornalista

Fonte:Jornal A Notícia(02/01/2011)

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