Li, há poucos dias, estarrecido, a divulgação de trabalho feito por um pesquisador que classifica Florianópolis como tendo o segundo pior índice de mobilidade urbana do mundo. O pior do Brasil, o estudo nem discute: é Florianópolis. E ponto final. Diante de tamanha sandice estatística lembrei imediatamente do que dizia um antigo professor de matemática: torture os números e eles confessarão qualquer coisa. Cabe a pergunta: o solitário pesquisador já esteve aqui? Percorreu nossas ruas ou cronometrou o tempo de deslocamento em nossa cidade? Ele, por acaso, conhece São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Roma, Nova Iorque? Isso para não falar em Mumbai, Cidade do México, Pequim ou outras cidades que, visivelmente, têm o trânsito pior que Florianópolis? A pesquisa não foi feita in loco, mas a partir de Londres e é inteiramente baseada na leitura de mapas.
O pior que a divulgação irresponsável de uma bobagem como essa é ouvir os desdobramentos que ela provoca. Funciona assim: um estudo duvidoso, feito por uma única pessoa em improváveis 164 países, publicado há dois anos, surge derramando números e sentenças. Em seguida, oportunistas se agarram a essa novidade e começam a dar eco às mais inacreditáveis barbaridades sobre a cidade.
Pessoas que fizeram parte de administrações passadas, omissas à época, vêm agora refestelar-se com as apocalípticas notícias. A história está contada apenas pela metade. Nossa capital, a exemplo da maioria das cidades brasileiras está inevitavelmente crescendo. E com esse crescimento surgem novos problemas a cada dia. Nossa administração os tem enfrentado. Até o fim do ano, a Prefeitura irá emitir 163 ordens de serviço. Novas pistas de rolamento, pavimentação de centenas de ruas, construção de elevados, e um incontável pacote de ações estão adaptando, sim, nossa cidade para os novos tempos.
Fonte:Artigos – Diário Catarinense – 13/06/2009
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