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quinta-feira, 20 de maio de 2010

Meu pé de goiabeira,por Milton Wendel

Seu Fritz Schtick é um joinvilense. Torce pelo JEC, às vezes toma uma cerveja no Jerke e tem uma propriedade na rua Otto Boehm, a cem metros da Fundação Municipal do Meio Ambiente, Fundema.
Na primavera de 1999, uma árvore que vivia na calçada em frente à sua propriedade começou a secar. No outono do ano 2000 a árvore morreu. Num domingo, Seu Fritz cortou a árvore morta, reabriu a cova, colocou esterco, adubo e terra. Plantou, no lugar da árvore que morrera, uma muda de goiabeira que nascera numa calha da casa e que precisava mesmo ser transplantada.

Orgulhoso de ter aproveitado uma planta sadia e de ter colaborado com a comunidade, Seu Fritz viu sua árvore crescer ao longo da primeira década do século 21, um século que, assim acredita ele, deveria ser o século da conscientização ecológica. Na primavera do ano passado, 2009, ela já tinha um caule de uns 10 cm de diâmetro e quase quatro metros de altura. Já dava algumas goiabas à criançada que passava por ali.
Coisas estranhas e inexplicáveis acontecem. No dia 5 de outubro de 2009, às onze horas da manhã, Seu Fritz deu de cara com a árvore cortada - pedaços jogados, a serragem da ação da motossera espalhada pela calçada. Ele pensou: "Ou atentado, ou coisa da Prefeitura."

Fritz Schtick é um puro, ele nunca cobraria para colaborar com a comunidade. Nunca fez farol por ter plantado uma árvore na calçada pública. Só queria ajudar. Ele não entende como alguém possa fazer coisas assim como atentados, ou receber da Prefeitura para prejudicar quem ajuda. Schtick não aceita que haja pessoas recebendo dinheiro para destruir.
Chocado com a violência do ato, ele foi na Fundema. Numa sala à direita da recepção, havia oito pessoas num cubículo de três metros por oito. Ninguém era fiscal. Puro burocratoparasitismo. Chamaram um fiscal, que anotou a queixa. Ficaram de descobrir quem fez a maldade. Seu Fritz protocolou. Ele já sabe que houve mais cortes no mesmo horário, na região. Ele já tem até uma teoria para explicar o porquê dos cortes. Mas não é isso que vem ao caso, aqui.

A paródia, o deboche, vem agora. Em março deste ano, o Seu Fritz estava tomando uma cerveja no Jerke quando se aproximou dele um engenheiro da Fundema, gente boa, amigo da turma dos ecologistas da cidade. Seu Fritz pensou que ia ouvir alguma novidade sobre a sua goiabeira, aquela que cortaram na primavera, sem motivo, causando aquela dor do valor afetivo e tudo mais. Mas não era nada disso. Era o seguinte: A Fundema está precisando de estacionamento, porque tem funcionários demais e todos eles vêm de carro para o serviço. A pergunta era se o Seu Fritz não poderia alugar um espaço na propriedade para servir de estacionamento. Parece piada, mas não é.

Milton Wendel

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