quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Diálogo de Religiões,por Osmari Fritz*

Com diferentes nomes, todas as religiões proclamam, celebram e buscam a salvação da pessoa humana. A partir dessa procura comum as religiões deveriam aprender a relativizar o que é relativo e absolutizar o que é absoluto. “Deus é maior que nosso coração” (I João 3: 20), deveria ser a premissa de todo diálogo inter-religioso. Deus não se esgota numa só revelação. Tem muito nomes, e sempre é tão misteriosamente inacessível como próximo “mais íntimo que nossa própria intimidade, (S. Agostinho).

Essa atitude de diálogo em profundidade exige generosidade e renúncia, conversão de pessoas e de estruturas, doação do Amor e utopia da Esperança. Às vezes, é preciso tirar os sapatos e calçar os chinelos, ou simplesmente se descalçar, para entrar numa mesquita ou num círculo ritual. Todas as fés, todas as religiões, todas as utopias devem-se pôr à disposição da vida humana e da criação inteira. Este é o grande desafio universal. Somente assim podemos nos reconhecer e sermos reconhecidos como filhos e filhas de Deus como irmão e irmãs em Humanidade.

Não haverá paz no mundo se as religiões não aceitarem o pluralismo religioso. Diálogo de religiões é a palavra de ordem. O modelo que hoje surge é do pluralismo religioso, propõe que nenhuma religião está no centro, como o sol, mas que o único sol é Deus, ao redor do qual giram todas as religiões, como irmãs. Cada religião seria um “mapa do território”, não o território mesmo. Umas mais, outras menos, mas quase todas as religiões se sentem desafiadas, destronadas, ameaçadas pelo pluralismo religioso. Os sistemas religiosos, seus “establishments” têm demasiado interesse de que tudo funciona como sempre; não podem aceitar uma mudança. Antes de dialogar com os outros, temos que dialogar conosco mesmos.

*Osmari Fritz é teólogo, psicólogo e vereador em Joinville.

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