*Verus philosophus est amator Dei - Santo Agostinho

domingo, 7 de março de 2010

Recordar é viver...Vejam que interessante!!!

O texto a seguir é um editorial do Jornal A Notícia que foi publicado em 21 de novembro de 1999...Vejam que interessante.

Editorial
O perigo da inflação

A equipe econômica do governo trabalha intensamente para não permitir que a inflação escape do controle. Intervenção direta do Banco Central no mercado do dólar demonstra que a estratégia é segurar a valorização da moeda americana, na expectativa de que os custos de produção não continuem influindo negativamente no aumento de preços no varejo.

Os números do índice geral de preços do mercado (IGP-M) revelados anteontem demonstram que a inflação adquiriu novo impulso, chegando a 1,87% na segunda prévia do mês, contra 1,14% da primeira. Os números da Fundação Getúlio Vargas podem alcançar 2,2% em novembro, contra 1,7% em outubro.

Os reajustes liberados para tarifas públicas e para os combustíveis e gás, como também para o álcool, todos superiores a 50% ao longo do ano, estão mostrando seus efeitos na inquietante evolução da inflação nas últimas semanas.

Será difícil limitar a inflação aos 8% estabelecidos na última rodada de negociações com o Fundo Monetário Internacional. Muito mais difícil será segurar a inflação nos 6% fixados como meta para o ano 2000. Apesar dos esforços dos agentes produtivos em não repassar ao consumidor os reajustes nos custos de produção, a verdade é que, de novo, o governo não cumpriu sua parte.

Mesmo que o presidente Fernando Henrique reclame dos empresários, não há como esconder que o principal responsável pela evolução da inflação nas dois últimos meses tem sido o próprio governo. As reações do empresariado, especialmente de São Paulo, demonstram que há risco, sim, de a inflação voltar a prejudicar a estabilidade da economia.

O repique da inflação deve sustar qualquer expectativa de queda nos juros, o que representa a manutenção dos obstáculos para a retomada do crescimento da economia. Assim, desemprego e estagnação, ao contrário do que anuncia a equipe econômica do governo, poderão persistir ao longo de boa parte do próximo ano.

A anunciada volta de crescimento do produto interno bruto (PIB) da ordem de 4% para o ano 2000 começa a se diluir diante do comportamento dos índices da inflação de outubro e novembro. Mesmo com a recuperação de parte da credibilidade externa, prejudicada com a desvalorização do real em janeiro, o Brasil continuará tendo dificuldades para conter o déficit das contas públicas e para retomar novo ciclo de crescimento interno nos próximos meses.

A volta da inflação pode pulverizar a retomada do crescimento da economia no ano que vem

Fonte:Jornal A Notícia


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