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terça-feira, 22 de junho de 2010

O Ferrão do Lutador,por Paulo Curvello

Ser técnico da seleção brasileira de futebol, de ascendência ítalo-germânica, gaúcho, do signo de escorpião e desafeto da rede Globo dá uma mistura bombástica. Não adianta ganhar todos os campeonatos nos quase quatro anos. São pelo menos 50 milhões de entendedores de futebol que discordam dele. Outros milhões que não tem opinião própria e se deixam influenciar pela mídia, principalmente a Globo, a maior rede. Dunga era um líder em campo como jogador. Hoje, lidera um grupo milionário. Na copa de 1994, a comissão técnica colocou Dunga como companheiro de quarto de Romário, para que domasse o indisciplinado, mas imprescindível. Foram campeões. Na carreira de jornalismo, o primeiro degrau, para os homens, deve ser a seção de esportes. É mais fácil de palpitar. Quem mostra competência e conhecimento em outros assuntos (economia, política, etc.) é promovido. Quem não tem, permanece no futebol.
Ser comentarista na mídia escrita, requer um conhecimento razoável da língua. Ser comentarista apenas com as palavras é muito mais fácil. Decora chavões, frases feitas, redundâncias, deduz o que quer, palpita à vontade. Tanto o que escreve, quanto o que fala, tem que preencher espaços. O Dunga sabe disso. Sabe que inventariam notícias sensacionalistas, deduções sem embasamentos, fofocas, crises. E ele não quer crise dentro do grupo, ele só quer ser campeão. Daí, as portas fechadas. Quem tiver competência que analise táticas, estratégias. Quem não tem, que chupe o dedo pela falta de polêmica. Dunga é guerreiro, com espírito de vencedor. Como desportista ficou longe da genialidade de Pelé, Ayrton Senna. Como técnico, está distante das mudanças táticas de Telê Santana. Mas em ambas as funções, lutou e luta obstinadamente, mesmo que suando mais que os gênios. A Globo se crê dona do futebol brasileiro (e da opinião pública sobre qualquer assunto). Ela quer exclusividade, acesso privilegiado, influenciar e o poder de criticar (palpitar) despudoradamente. Só que ela encontrou pela frente um funcionário dedicadíssimo, que assume a responsabilidade, não foge dela. Ele é o técnico, não a Globo. Claro que após a Copa ele vai cair, mesmo sendo Hexa. A CBF vai se render a alguma negociação milionária com um herdeiro da família Marinho. Ainda mais pelo uso dos palavrões, traduzidos para o mundo, o que lhe dá a pecha de destemperado para um cargo que sofre pressões. Aí ele errou, faltou-lhe uma dose de hipocrisia, cinismo, ironia fina. Ele aferroa de forma direta, é da sua natureza, quase ingênua.

Paulo Curvello
Balneário Camboriú
curvell@terra.com.br

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