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sábado, 18 de julho de 2009

A OFICIALIZAÇÃO DO APARTHEID NAS INSTITUIÇÕES MILITARES ESTADUAIS

O sistema militarista é opressor, excludente e antidemocrático por princípios. No militarismo impera a obediência cega aos ditames daqueles que se dizem mais capazes, vigora a lógica de que os Praças não pensam, apenas cumprem as ordens de seus superiores, sem discussão, sem ponderação, o que nos dá a entender que o Praça não pode ter uma consciência ativa e ou critica, pois do contrário não é o militarismo. Neste modelo só quem pode pensar e agir são os oficiais, as cúpulas e estas tem geralmente atuado e legislado em causa própria a muito, muito tempo.

A definição acima é de conhecimento de todas e todos os militares no Brasil, no entanto nosso desafio enquanto Praças, que constantemente somos humilhados e vilipendiados em nossos direitos é levar ao conhecimento da população os abusos e as arbitrariedades a que estamos sujeitos todos os dias, pois é óbvio que o tratamento que nos é dado no interior dos quartéis reflete em nosso trabalho nas ruas, seria utopia achar que seres humanos que são tratados como sub-cidadãos defendam a cidadania de outros.

Temos procurado ao longo da história da Aprasc tornar conhecidos os abusos e arbitrariedades a toda sociedade, para isso temos nos utilizado de todas as ferramentas e nos servido da chamada democracia nos meios de comunicação onde vigora este principio e onde temos espaço para fazer esta divulgação, e em assim sendo obter o apoio necessário com o intuito de mudar esta lógica (o ideal seria a desmilitarização mesmo), para que deixemos de ser considerados como refugo e por isso tratados com desconsideração. É esperado de nós, Praças de SC apenas servilidade, docilidade cega e conformismo com as ordens dadas e isso não pode continuar em pleno século XXI. Avançamos e muito nestes últimos anos, somos hoje reconhecidos no Estado todo e se mais coisas não são expostas ao público é porque outras lógicas impedem, tais como o poder econômico, os jogos de interesses, entre outros.

O que vem ocorrendo em SC beira o absurdo (nas instituições à qual fazemos parte, absurdo é regra e não excessão), e prova disso é o que ocorreu nos dias 15 e 16 deste mês (julho), quando a Assembléia Legislativa de SC aprovou projeto de lei oriundo do Governo do Estado e dos oficiais das instituições militares, que oficializa e corrobora o APARTHEID e a discriminação entre os militares.

Ao pararmos para analisar os trâmites e as decisões do legislativo catarinense na atual legislatura, veremos algo que ridiculariza àquele poder. Uma pesquisa simples constatará o obvio, ou seja, que o Governo do Sr. LHS aprovou tudo o que quis fazendo com que um poder que era pra ser de fiscalização e fundamentalmente independente, se torne uma espécie de cartório, no qual apenas se carimba o que vem do executivo em uma submissão absoluta e vergonhosa. É como se os Deputados, ou a maioria deles não fossem detentores de senso critico ou de senso de realidade.

Aprofundando mais ainda a discussão e analisando o papel do legislativo catarinense nos dias 15 e 16 de julho mais específicamente, iremos perceber a serviço de quem aquele e outros poderes estão realmente (não que já não soubesse só que desta vez ficou por demais evidente).

Os Deputados, com pouca resistência, oficializaram a discriminação e isso se deu em um primeiro momento na própria disposição e colocação dos policiais nas galerias, de um lado os oficiais do outro os Praças e no meio, além daqueles que por determinação dos seus superiores (oficiais), lá estavam, contra a vontade, em uma espécie de enganação coletiva, tentando passar uma imagem falsa de que as coisas estavam bem, de que os Praças concordavam em ser novamente humilhados e discriminados, ou seja, literalmente passados para trás, havia um cordão de isolamento, ficando assim claro a separação, a divisão, ou o APARTHEID do séc.XXI. Foi humilhante ver os Sgts do CAS sem reação, sem poder falar o que realmente estavam sentido, constrangidos, enfim humilhados duplamente, ou seja, além de estarem forçados, tiveram seu direito básico de pensar usurpado em prol de interesses os quais com certeza não eram os deles, pois todos os Sgts que ali estavam sabiam dos pormenores e armadilhas do projeto e quem de fato seria beneficiado com o mesmo. Em um segundo momento, nossos Deputados Estaduais, ao aprovar o projeto que tornou mais oficial ainda a descriminação salarial, demonstraram a sua completa submissão ao Governo e também às cúpulas das instituições militares e isso prova-se na medida em que cada emenda que foi lida, o Dep. Marcos Vieira do PSDB (relator do projeto) olha para os Oficiais esperando um aceno de cabeça concordando ou não com a referida em uma situação de completa subserviência. Outro absurdo foi ver o Dep. Darci de Mattos do DEM, mesmo após várias conversas explicando as armadilhas do projeto, votar a favor do mesmo, beneficiando 700 em detrimento de 12 mil e em assim sendo fazendo um papel de mero cumpridor de ordens, beirou o ridículo.

Foi isto que ocorreu na assembléia legislativa nesta semana, oficializaram a descriminação, a segregação e isto em um poder que era para ser fiscalizador e independente, além de justo, coerente e democrático, onde projetos seriam discutidos, analisados e depois de entendidos votados.

Nossa luta continua e continuará sempre contra este Governo e contra outros que não tenham como lógica a participação, a justiça, o respeito, assim como contra todos os deputados que nos apunhalaram, oficializando a discriminação e as injustiças que são cometidas conosco todos os dias, pois ficou provado e agora oficializado que temos três instituições de segurança em SC ( a Policia Civil, Os oficiais da Policia Militar e os Praças da Policia Militar) e que tanto o Governo como os Deputados obedecem duas e atendem com presteza e agilidade seus pleitos, pois a se basear pelos colunistas e pelo que vimos na assembléia legislativa percebe-se claramente o quanto o Governo ouve as cúpulas em detrimento das bases e como a obediência de todos os membros do Governo e de alguns Deputados é cega, tão cega quanto querem que sejamos nos quartéis.

Sd Elisandro Lotin,vice-presidente da APRASC (Associação de Praças de Santa Catarina)

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