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*Verus philosophus est amator Dei - Santo Agostinho
sexta-feira, 28 de dezembro de 2018
quinta-feira, 4 de outubro de 2018
domingo, 5 de agosto de 2018
sábado, 7 de julho de 2018
PELA REUTILIZAÇÃO INTELIGENTE DA LINHA FÉRREA DE JOINVILLE
Joinville precisa reaproveitar a malha ferroviária que passa dentro do município. Desprezar esse patrimônio é um GRANDE ERRO da Prefeitura. Sucatear a linha férrea é um desrespeito a História de nossa cidade.
sábado, 30 de junho de 2018
Pico Della Mirândola (1463 - 1494)
Mirândola
foi um grande estudioso da Cabala, uma doutrina mística que tem por base a
teologia judaica e é, segundo a crença, uma revelação de Deus para que os
homens pudessem conhecê-lo de modo mais profundo e entender a bíblia de forma
mais clara.
Além da cabala Pico estudou também a
condição da dignidade humana. Para ele o homem é a grande criação do universo,
nós somos o verdadeiro e extraordinário milagre divino. E somos o grande
milagre porque todas as outras criaturas já nascem com um destino traçado, já
nascem destinadas a serem o que são e não podem ser outra coisa.
Já o homem tem a capacidade e a
possibilidade de fazer-se a si próprio, a sua natureza não é predeterminada. O
grande milagre no homem é que ele pode inventar a si próprio, o homem pode
construir a si mesmo. Não somos nem terrestres nem celestes, não somos imortais
nem mortais, estamos na divisa dos dois mundos. Temos a liberdade de nos fazer
conforme nossa preferência, somos criadores de nós mesmos.
Segundo nossa
responsabilidade podemos nos tornar brutos e inferiores como as coisas da
natureza, ou podemos também nos aproximar das coisas celestes e através da
nossa inteligência atingir as coisas superiores e divinas.
Nós somos um rudimento, uma
possibilidade de um novo ser, conforme nos desenvolvermos podemos nos tornar
planta, animal, anjo ou podemos até mesmo participar em conjunto do Espírito de
Deus.
O homem é superior a todas as outras
criaturas do mundo. Como o homem foi o último a ser criado Deus o fez com a
característica das diversas outras criações divinas. Por sermos livres temos a
escolha de corromper-nos e baixarmos ao nível irracional dos animais ou de nos
reconstruir seguindo a imagem divina. A reconstrução do homem é o seu
renascimento, a sua reforma. O caminho para alcançarmos o renascimento passa
pelas diversas formas de saber, mas o mais alto saber é o teológico.
Sentenças:
-
A amizade é uma virtude.
- Cada um tem em si
próprio dez punições: a ignorância, a tristeza, a inconstância, a avareza, a
injustiça, a luxúria, inveja, traição a raiva e a malícia.
Responsável: Arildo Luiz Marconatto
Fonte:www.filosofia.com.br
quinta-feira, 28 de junho de 2018
LUCIANA CARMINATI - EM DEFESA DA EDUCAÇÃO
O magistério catarinense é defendido praticamente só por ela na Assembleia Legislativa. Ela é a deputada estadual Luciana Carminati do PT de Chapecó.
terça-feira, 5 de junho de 2018
PRESERVAÇÃO DO PARALELEPÍPEDO EM JOINVILLE
O respeito a história de Joinville fica...muito...só no discurso. Aqui falar em passado parece coisa de bandido, não merece respeito. A cidade tem um patrimônio precioso que são as ruas com paralelepípedos. Tem várias ruas ainda com esse tipo de pavimentação, mas estão largadas, tão judiadas(sem comentários). A própria rua Prudente de Moraes se fosse bem cuidada, não precisava ser asfaltada. Mantê-la com o paralelepípedo preservado até daria um certo charme a via. Mas, os buracos são tantos, e a falta de respeito pelas coisas da cidade é algo...assim...que deveria ser analisado. A prefeitura de Curitiba quer preservar o paralelepípedo como foi abordado pelo jornalista Jefferson Saavedra no jornal A Notícia. Quem sabe, Joinville siga o exemplo da capital paranaense. Sonha Juliano!!!
terça-feira, 29 de maio de 2018
FICA A SAUDADE
Grande amigo, colega e parceiro - Professor Celso Rocha.
Descanse em paz!
Sua linda missão está cumprida.
Ficam os bons momentos.
Descanse em paz!
Sua linda missão está cumprida.
Ficam os bons momentos.
quarta-feira, 23 de maio de 2018
A BIKE EM JOINVILLE.
A bicicleta em Joinville é viável e deve ser utilizada em pequenos
percursos, por exemplo, nos bairros. Longos deslocamentos utilizando
bicicletas necessitam de corredores exclusivos para dar mais segurança ao
ciclista. Aqui em Joinville uma avenida que há muito tempo merece uma
ciclovia é a avenida Procópio Gomes. Nesta via, os ciclistas correm
risco a todo momento de serem atropelados. Um modelo correto de ciclovia
é o que existe ali na avenida Beira-Rio em frente
ao Centreventos. Ninguém aqui é contra a utilização da "bike" como meio
de transporte. Mas seu uso não pode inviabilizar os outros meios de
transportes e muito menos prejudicar a economia da cidade. Vejam o
prejuízo que ocasionou as ciclofaixas das ruas Otto Boehm, Max Colin e
Lages no centro de Joinville? A utilização dessas vias pelos ciclistas é
mínima mas ó prejuízo ao comércio dessas ruas é incalculável. Por isso
quem cuida do setor de transporte na Prefeitura de Joinville deve pensar
nessas situações. Vale a pena impor a utilização da bicicleta e
prejudicar a economia da cidade? Acredito que não pois a frota de
veículos motorizados cresceu muito nos últimos anos. Incentivar o uso da
bicicleta pelo trabalhador ou o estudante que mora no América para se
deslocar até o centro é ao meu ver viável. Agora, fazer com que todo
dia, um ciclista saia do Jardim Paraíso pedalando até o Floresta, é
muita judiação(principalmente no verão).
terça-feira, 22 de maio de 2018
sábado, 31 de março de 2018
Bicentenário de Ottokar Doerffel
Vale a pena visitar a exposição em comemoração ao Bicentenário de
Ottokar Doerffel no Museu de Artes de Joinville. A visita ao museu é uma
viagem no tempo. Muito interessante os detalhes do prédio que foi
residência de Ottokar Doerffel. O local ainda é cercado de muito verde
praticamente no centro da cidade. O intelectual e político visionário que foi fundamental para
o desenvolvimento de Joinville.
quinta-feira, 15 de março de 2018
sábado, 17 de fevereiro de 2018
SAUDADES
Descanse em paz seu Alsione Gomes de Oliveira.
Meus sentimentos a toda família do senhor Alsione Gomes de Oliveira. Joinville perdeu hoje um filho nobre. O céu ganhou mais uma estrela.
Meus sentimentos a toda família do senhor Alsione Gomes de Oliveira. Joinville perdeu hoje um filho nobre. O céu ganhou mais uma estrela.
sábado, 10 de fevereiro de 2018
Palavras de Wittich Freitag!!!
(...) Quando assumi em janeiro(...) encontrei a Prefeitura com
pagamentos atrasados em três,quatro até cinco meses com fornecedores.
Ninguém mais queria vender para a Prefeitura,não havia crédito para
comprar um pão(...) O fato é que a Prefeitura comprava mal,pagava caro e
pagava mal. Eu estava com as mãos amarradas e percebia que dificilmente
poderia realizar,nos próximos meses,as obras com as quais me
comprometera(...)***
***Palavras do prefeito Wittich Freitag ao assumir a prefeitura de Joinville em 1983.
Fonte: Eu, Wittich Freitag, livro da historiadora Raquel S.Thiago,páginas 172 e 173.
sábado, 27 de janeiro de 2018
quinta-feira, 18 de janeiro de 2018
Canalização de córregos ajuda a evitar enchentes e problemas com erosão
Tecnologias construtivas e soluções de projeto buscam diminuir o impacto ambiental das obras nas cidades
Texto: Juliana Nakamura
A canalização dos cursos d'água em centros urbanos é uma intervenção necessária para aumentar a capacidade de vazão de córregos em áreas que sofrem com enchentes,
solapamento das margens e erosão. A realização desse tipo de obra
exige um projeto que considere as características hídricas do local.
Também requer a superação de uma série de desafios técnicos, da
necessidade de reduzir interferências urbanas a imprevistos
geotécnicos. Os esforços são sempre no sentido de garantir uma
intervenção eficaz e com o mínimo impacto ambiental.Uma etapa crítica no processo de canalização é o licenciamento ambiental, necessário para a liberação da obra, que não é uma solução livre de efeitos colaterais. A retificação do rio e a aplicação de revestimento impermeável elevam a velocidade de escoamento da água, gerando aumento dos picos de vazão com impactos a jusante. Isso significa que, se o projeto não for realizado corretamente, a canalização pode apenas transferir de lugar o problema da inundação, em vez de resolvê-lo. Foto de canalização de riacho em Seul - Coreia do Sul.
PROJETOS DE CANALIZAÇÃO MAIS SUSTENTÁVEIS
A necessidade de produzir canalizações ambientalmente mais sustentáveis vem induzindo mudanças na forma de se projetar e executar esse tipo de obra. Uma tendência é prover intervenções mais suaves. Isso pode ser feito com ações como a utilização de revestimentos permeáveis (gabiões com geotêxteis, por exemplo), a preservação da curva natural do córrego, a ampliação das áreas verdes e a construção de piscinões em pontos estratégicos.O projeto deve também lançar mão de informações consistentes sobre a bacia hidrográfica em questão, bem como da geotecnia local.O conhecimento das condições climáticas também é decisivo para o sucesso da obra. As condições de hidrologia do local vão determinar, por exemplo, se o curso da água necessita ser desviado temporariamente para a execução da obra ou não.
NOVAS TECNOLOGIAS CONSTRUTIVAS
O engenheiro Luis Guilherme Nedavaska, superintendente da Emparsanco, conta que as técnicas empregadas para a execução da canalização de córregos evoluíram bastante nos últimos anos.Um dos destaques é o maior uso de pré-fabricados de concreto. Até pouco tempo atrás, as canalizações eram feitas em sua maioria com peças moldadas no local. Era preciso escavar, acertar o leito, montar as fôrmas, produzir e aplicar o concreto. “O aprimoramento das tecnologias do concreto aliado à necessidade de superar condições de logísticas desafiadoras, especialmente em grandes centros urbanos, estimulou a busca de sistemas construtivos que garantam maior agilidade às obras”, diz Nedavaska.
Segundo ele, ao chegarem prontas para a montagem no canteiro, as galerias pré-moldadas de concreto ganharam importância ao reduzir o tempo de obra e os transtornos decorrentes da realização dos serviços.
aredes de concreto e aduelas pré-moldadas foram utilizadas na canalização do córrego Ponte Baixa, na zona sul de São Paulo, no trecho entre a Estrada do M’Boi Mirim e a sua foz no Canal do Guarapiranga. A obra, concluída em 2016 e com 3,5 quilômetros de extensão, engloba a construção de um complexo viário que beneficiará cerca de 550 mil pessoas, segundo a administração municipal. Para reduzir a velocidade de escoamento da água, o projeto previu a instalação de degraus de amortecimento.
EQUIPAMENTOS PARA CANALIZAÇÃO DE CÓRREGOS
O engenheiro Ronald Harry Spitzkopf, gerente operacional da Construtora Passarelli, explica que, embora cada projeto tenha sua particularidade, as obras de canalização costumam seguir um roteiro que pode ser dividido em seis etapas principais:1. Desapropriação das áreas urbanas (quando necessário)
2. Escoramento e terraplenagem
3. Desvio de córrego, escavação e consolidação do solo
4. Preparo de base e assentamento de galerias
5. Reaterro
6. Desvio do córrego para seu curso natural e reurbanização da área trabalhada.
Para a realização desses serviços, são largamente utilizados equipamentos de terraplenagem, como escavadeiras hidráulicas, tratores de esteiras, pá-carregadeiras e motoniveladoras.
Retirado do site: www.portaldosequipamentos.com.br
terça-feira, 9 de janeiro de 2018
Alexis de Tocqueville#
Alexis Charles-Henri-Maurice Clérel de Tocqueville nasceu em Paris,
em 29 de julho de 1805 e morreu em Cannes, a 16 de abril de 1859. Viveu,
portanto, o período mais atribulado da História francesa durante o
século XIX. Ele nasceu pouco tempo após o Terror da Revolução Francesa
(sobre a qual escreveria uma obra clássica). A infância transcorreu sob
as vicissitudes de Napoleão. Assistiu à restauração da monarquia sob
Luís XVIII e Carlos X (a quem seu pai serviu) e à sua subseqüente
derrubada por Luís-Felipe. A seguir veio a Revolução de 1848 e a Segunda
República com Luís-Napoleão presidente. Este, por seu turno, em 1851
promoveu um golpe de Estado e se fez Napoleão III.
Este pano de fundo é importante para compreender Tocqueville. Nascido numa ilustre família, descendente de um irmão de Santa Joana D’Arc, parente de Chateaubriand e bisneto do estadista Chrétien de Malesherbes (conselheiro de Luís XV e XVI), tendo, portanto, vínculos com o Ancien Regime, foi obrigado, em mais de uma ocasião, a deixar a França. Em 1831, por exemplo, devido a problemas pessoais que a derrubada dos Bourbons lhe causava, empreendeu uma viagem aos Estados Unidos cujo resultado o tornaria célebre.
A viagem aos EUA
O pretexto para deixar a França foi o de realizar um estudo sobre o sistema penitenciário norte-americano. Passou nove meses fazendo leituras, observações e, sobretudo, conversando com eminentes membros da sociedade americana. Quando retornou à França, publicou, com seu companheiro de viagem Gustave de Beaumont, a obra Sobre o sistema penitenciário nos Estados Unidos e a sua aplicação na França. Mas foi o livro Da Democracia na América, cuja primeira parte foi publicada em 1835 e a segunda em 1840, que o consagrou como cientista político. Foram-lhe abertas as portas das mais prestigiadas instituições, entre as quais a Academia Francesa (1841).
A democracia americana
A obra Da Democracia na América é uma análise que mantém extraordinário interesse e atualidade. Graças à influência do historiador François Guizot e de estudos sobre a história inglesa, Tocqueville desenvolveu uma aguda perspectiva que emerge fortemente no seu livro sobre a democracia americana. Praticamente não houve aspecto da vida política dos Estados Unidos que não merecesse uma análise exata. Por exemplo, ao interpretar o “Poder Judiciário nos Estados Unidos e sua influência sobre a sociedade política”, Tocqueville afirma que ‘não há, por assim dizer, ocorrência política na qual não se invoque a autoridade do juiz. De onde se conclui, naturalmente, que nos Estados Unidos o juiz é uma das primeiras forças políticas… Aos olhos do observador, o magistrado dá a impressão de jamais se imiscuir nos negócios públicos a não ser por acaso; só que esse acaso acontece todos os dias’.
Em pleno século XXI esta afirmativa mantém-se plenamente válida. Basta lembrar o conflito eleitoral Bush x Gore, resolvido na Suprema Corte. Aliás, mesmo depois do problema surgido no colégio eleitoral da Flórida, os legisladores americanos não se preocuparam em mudar as regras do jogo eleitoral, aceitando-as como originalmente concebidas. Assim, no pleito de 2004 será perfeitamente possível que o candidato eleito seja o que fizer menos votos populares, mas obtiver a maioria no colégio eleitoral que de fato irá escolher o próximo Presidente.
A escravidão nos EUA
Outro capítulo de grande interesse no Da Democracia na América refere-se à escravidão. Algumas passagens são clássicas e até premonitórias. Como ao comentar que o ‘negro situa-se nos limites extremos da servidão; o índio, nos limites extremos da liberdade. O negro perdeu até a propriedade de sua pessoa e não poderia dispor da própria existência sem cometer uma espécie de roubo; o selvagem está entregue a si mesmo, desde que possa agir… o negro gostaria de confundir-se com o europeu, e não o pode. O índio, até certo ponto, poderia consegui-lo, mas desdenha da idéia de tentá-lo. O servilismo de um entrega-o à escravidão, e o orgulho do outro à morte’.
Diante desse quadro, viu Tocqueville, na questão da escravidão, a maior ameaça à democracia americana. Nos estados em que ela já fora abolida, Tocqueville ainda identificava graves problemas ante a necessidade de superaração de três preconceitos ‘bem mais intangíveis e tenazes do que [a escravidão]: o preconceito do senhor, o preconceito de raça e, por fim, o preconceito do branco. Assim, o negro é livre, mas não pode partilhar dos direitos, nem dos prazeres, nem das formas de trabalho, nem das dores e nem mesmo da sepultura daquele de quem foi declarado igual. Com este não poderá ombrear-se em parte alguma, nem na vida nem na morte’.
Transcorreria mais de um século até que a chaga da escravidão começasse a cicatrizar no tecido social norte-americano. Tocqueville ainda previu que a abolição no sul dos Estados Unidos ‘fará crescer a repugnância que a população branca sente ali pelos negros’.
Na segunda parte da obra Da Democracia na América, Tocqueville trata da sua influência sobre diferentes aspectos: no movimento intelectual; nos sentimentos dos americanos; sobre os costumes e sobre a sociedade política. Essa percepção obtida em 1831 justifica toda a fama granjeada por Tocqueville, ainda na juventude. No Brasil, na mesma época, apesar da consolidação da independência, a monarquia ainda periclitava. A escravidão era um tema que estava a meio século de ser revisto.
A Revolução Francesa
A última obra de Tocqueville – O Antigo Regime e a Revolução Francesa, de 1856 – é considerada pelos críticos a melhor análise sobre a Revolução em França. Tocqueville começa essa obra estudando as características da sociedade francesa no período que antecedeu a Revolução e se propõe a responder a uma série de questões nos dois terços finais do livro, que foram publicados postumamente. Entre elas, se destacam:
· porque o feudalismo se tornou mais detestado na França do que em qualquer outro país;
· porque um governo paternalista, como é chamado hoje, foi praticado sob o ancien regime;
· como a França se tornou o país no qual os homens mais se parecem uns com os outros;
· como o sentimento anti-religioso se espalhou e ganhou força na França do século XVIII e a sua influência na natureza da Revolução;
· e como mudanças revolucionárias no sistema administrativo precederam a revolução política e suas conseqüências.
A pobreza
Como se vê, Tocqueville incursionou pela Sociologia com desenvoltura e, nesse aspecto, vale também mencionar uma terceira obra – ainda que menos conhecida – publicada em 1835 sob o título Ensaio sobre a pobreza. Trata-se de um ensaio curto e denso sobre os paradoxos da pobreza na Europa, especialmente na Inglaterra. Na verdade, Tocqueville empreendeu mais de uma viagem à Grã Bretanha, vindo a contrair núpcias com uma inglesa. A recente edição brasileira do Ensaio sobre a pobreza vem enriquecida por uma apresentação feita pelo Embaixador Meira Penna e dos seguintes comentários: “Lições de economia por Tocqueville (por André Andrade); “Da época de Tocqueville à era da globalização: a questão da persistência da miséria” (por Mário Guerreiro); “Origens das preocupações de Alexis de Tocqueville com a temática da pobreza” e “Os aspectos intelectual e político da ética pública em Alexis de Tocqueville” (por Ricardo Vélez Rodrigues); e “Tocqueville e o mundo da Revolução Industrial” (por Arno Wehling).
Tocqueville faleceu no sul da França, em 1859, cercado por sua esposa e duas filhas religiosas, no auge da fama e reconhecimento (inclusive na Inglaterra, onde em 1857 fora recebido em audiência pública pelo Príncipe Alberto). Consta que ele teria se afastado do catolicismo ainda na juventude, mas que no final da vida reatara seus laços com a Igreja.
#Retirado do sítio www.institutoliberal.org.br
Este pano de fundo é importante para compreender Tocqueville. Nascido numa ilustre família, descendente de um irmão de Santa Joana D’Arc, parente de Chateaubriand e bisneto do estadista Chrétien de Malesherbes (conselheiro de Luís XV e XVI), tendo, portanto, vínculos com o Ancien Regime, foi obrigado, em mais de uma ocasião, a deixar a França. Em 1831, por exemplo, devido a problemas pessoais que a derrubada dos Bourbons lhe causava, empreendeu uma viagem aos Estados Unidos cujo resultado o tornaria célebre.
A viagem aos EUA
O pretexto para deixar a França foi o de realizar um estudo sobre o sistema penitenciário norte-americano. Passou nove meses fazendo leituras, observações e, sobretudo, conversando com eminentes membros da sociedade americana. Quando retornou à França, publicou, com seu companheiro de viagem Gustave de Beaumont, a obra Sobre o sistema penitenciário nos Estados Unidos e a sua aplicação na França. Mas foi o livro Da Democracia na América, cuja primeira parte foi publicada em 1835 e a segunda em 1840, que o consagrou como cientista político. Foram-lhe abertas as portas das mais prestigiadas instituições, entre as quais a Academia Francesa (1841).
A democracia americana
A obra Da Democracia na América é uma análise que mantém extraordinário interesse e atualidade. Graças à influência do historiador François Guizot e de estudos sobre a história inglesa, Tocqueville desenvolveu uma aguda perspectiva que emerge fortemente no seu livro sobre a democracia americana. Praticamente não houve aspecto da vida política dos Estados Unidos que não merecesse uma análise exata. Por exemplo, ao interpretar o “Poder Judiciário nos Estados Unidos e sua influência sobre a sociedade política”, Tocqueville afirma que ‘não há, por assim dizer, ocorrência política na qual não se invoque a autoridade do juiz. De onde se conclui, naturalmente, que nos Estados Unidos o juiz é uma das primeiras forças políticas… Aos olhos do observador, o magistrado dá a impressão de jamais se imiscuir nos negócios públicos a não ser por acaso; só que esse acaso acontece todos os dias’.
Em pleno século XXI esta afirmativa mantém-se plenamente válida. Basta lembrar o conflito eleitoral Bush x Gore, resolvido na Suprema Corte. Aliás, mesmo depois do problema surgido no colégio eleitoral da Flórida, os legisladores americanos não se preocuparam em mudar as regras do jogo eleitoral, aceitando-as como originalmente concebidas. Assim, no pleito de 2004 será perfeitamente possível que o candidato eleito seja o que fizer menos votos populares, mas obtiver a maioria no colégio eleitoral que de fato irá escolher o próximo Presidente.
A escravidão nos EUA
Outro capítulo de grande interesse no Da Democracia na América refere-se à escravidão. Algumas passagens são clássicas e até premonitórias. Como ao comentar que o ‘negro situa-se nos limites extremos da servidão; o índio, nos limites extremos da liberdade. O negro perdeu até a propriedade de sua pessoa e não poderia dispor da própria existência sem cometer uma espécie de roubo; o selvagem está entregue a si mesmo, desde que possa agir… o negro gostaria de confundir-se com o europeu, e não o pode. O índio, até certo ponto, poderia consegui-lo, mas desdenha da idéia de tentá-lo. O servilismo de um entrega-o à escravidão, e o orgulho do outro à morte’.
Diante desse quadro, viu Tocqueville, na questão da escravidão, a maior ameaça à democracia americana. Nos estados em que ela já fora abolida, Tocqueville ainda identificava graves problemas ante a necessidade de superaração de três preconceitos ‘bem mais intangíveis e tenazes do que [a escravidão]: o preconceito do senhor, o preconceito de raça e, por fim, o preconceito do branco. Assim, o negro é livre, mas não pode partilhar dos direitos, nem dos prazeres, nem das formas de trabalho, nem das dores e nem mesmo da sepultura daquele de quem foi declarado igual. Com este não poderá ombrear-se em parte alguma, nem na vida nem na morte’.
Transcorreria mais de um século até que a chaga da escravidão começasse a cicatrizar no tecido social norte-americano. Tocqueville ainda previu que a abolição no sul dos Estados Unidos ‘fará crescer a repugnância que a população branca sente ali pelos negros’.
Na segunda parte da obra Da Democracia na América, Tocqueville trata da sua influência sobre diferentes aspectos: no movimento intelectual; nos sentimentos dos americanos; sobre os costumes e sobre a sociedade política. Essa percepção obtida em 1831 justifica toda a fama granjeada por Tocqueville, ainda na juventude. No Brasil, na mesma época, apesar da consolidação da independência, a monarquia ainda periclitava. A escravidão era um tema que estava a meio século de ser revisto.
A Revolução Francesa
A última obra de Tocqueville – O Antigo Regime e a Revolução Francesa, de 1856 – é considerada pelos críticos a melhor análise sobre a Revolução em França. Tocqueville começa essa obra estudando as características da sociedade francesa no período que antecedeu a Revolução e se propõe a responder a uma série de questões nos dois terços finais do livro, que foram publicados postumamente. Entre elas, se destacam:
· porque o feudalismo se tornou mais detestado na França do que em qualquer outro país;
· porque um governo paternalista, como é chamado hoje, foi praticado sob o ancien regime;
· como a França se tornou o país no qual os homens mais se parecem uns com os outros;
· como o sentimento anti-religioso se espalhou e ganhou força na França do século XVIII e a sua influência na natureza da Revolução;
· e como mudanças revolucionárias no sistema administrativo precederam a revolução política e suas conseqüências.
A pobreza
Como se vê, Tocqueville incursionou pela Sociologia com desenvoltura e, nesse aspecto, vale também mencionar uma terceira obra – ainda que menos conhecida – publicada em 1835 sob o título Ensaio sobre a pobreza. Trata-se de um ensaio curto e denso sobre os paradoxos da pobreza na Europa, especialmente na Inglaterra. Na verdade, Tocqueville empreendeu mais de uma viagem à Grã Bretanha, vindo a contrair núpcias com uma inglesa. A recente edição brasileira do Ensaio sobre a pobreza vem enriquecida por uma apresentação feita pelo Embaixador Meira Penna e dos seguintes comentários: “Lições de economia por Tocqueville (por André Andrade); “Da época de Tocqueville à era da globalização: a questão da persistência da miséria” (por Mário Guerreiro); “Origens das preocupações de Alexis de Tocqueville com a temática da pobreza” e “Os aspectos intelectual e político da ética pública em Alexis de Tocqueville” (por Ricardo Vélez Rodrigues); e “Tocqueville e o mundo da Revolução Industrial” (por Arno Wehling).
Tocqueville faleceu no sul da França, em 1859, cercado por sua esposa e duas filhas religiosas, no auge da fama e reconhecimento (inclusive na Inglaterra, onde em 1857 fora recebido em audiência pública pelo Príncipe Alberto). Consta que ele teria se afastado do catolicismo ainda na juventude, mas que no final da vida reatara seus laços com a Igreja.
#Retirado do sítio www.institutoliberal.org.br
sábado, 6 de janeiro de 2018
Blumenau sente saudade do trem.
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