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terça-feira, 15 de setembro de 2015

Por que garotas de classe média alta entram na prostituição?

Dei uma entrevista para um jornal, falando sobre o elevado nível sociocultural de muitas garotas de programa e sobre os agentes motivadores dessa busca.
Uma característica que chama a atenção de pesquisadores sociais, é a mudança no perfil das garotas que fazem programas nas casas de prostituição de luxo, nas principais capitais brasileiras.
As casas de 'encontros' mudaram muito nos últimos anos, passaram a ser lugares bonitos, luxuosos e o perfil das meninas acompanhou. Hoje são garotas bem nascidas e bem cuidadas, universitárias na sua grande maioria, filhas de famílias de classe média a média alta. Isso mesmo, filhas de executivos, profissionais liberais e pequenos empresários.

Perfil

O perfil dessas garotas tende a ser de meninas de 18 a 25/27 anos, bonitas, magras, universitárias na grande maioria, talvez a metade delas seja de cidades próximas ou mais distantes e para estudar vieram morar sozinhas, outras moram com a família, mas todas costumam dizer que tem horário prolongado, pois fazem trabalhos (em geral se intitulam modelos) em festas, eventos e isso têm horários estendidos ou até justificam inúmeras viagens que possam aparecer.

Os frequentadores são executivos, profissionais liberais, empresários, alguns jovens, a maioria de homens maduros (de 35 a 55 anos), inteligentes, bonitos e charmosos. Esse tipo de homem também traduz um modelo de desejo e idealização. Por isso, muitas acham excitante serem pagas para ficar com eles.
Essa garota sente-se ‘poderosa’ na sua sensualidade e no seu poder de conquista e isso acaba ‘viciando’.
Prostituição
Elas são apresentadas à prostituição por uma amiga ou buscam sozinhas ao perceberem o quão difícil e demorado pode ser a conquista de um conforto econômico. Enquanto uma estudante universitária consegue um estágio remunerado em torno de um a 1,5 salários mínimos, e precisa trabalhar diariamente de 6 a 8 horas, para pensar em adquirir experiência e talvez um planejamento pós-universidade - cursos de pós-graduação, mba ou especialização. Só num prazo de cinco a sete anos ela conquistará um salário (se ela tiver talento, capacidade e boa colocação) que a auxilie a efetuar alguns de seus sonhos pessoais.

Mas a ansiedade e o padrão de comportamento até então vividos é o da conquista rápida. Isso faz com que essas garotas vislumbrem um caminho rápido na prostituição de luxo.

Nessa atividade elas obtêm um rendimento médio superior entre 10/ 20 vezes o que ganhariam em seu estágio. Muitas relatam terem uma sensação de importância, pois se sentem bonitas, podem se cuidar, conquistam o que desejam (materialmente falando). E aí vem a pergunta: Essas famílias não percebem? Não questionam ou não recriminam? Isso seria outro artigo, aliás, uma tese.
Prostituição de luxo: origem está na educação e na necessidade de consumo
Observamos nas famílias de classe média um comportamento de querer proporcionar aos filhos todos os desejos, como se isso evitasse sofrimento, frustração e fizessem os pais serem mais queridos ou os filhos mais felizes.
Erros existenciais
Basta andar no shopping ou entrar em lojas de brinquedos e de eletrônicos e veremos pais alimentando um pequeno tirano em seu desejo de poder e sem nenhuma noção de valor ou de merecimento. Tudo na vida tem uma relação custo-benefício, mas os pais dão presentes do carrinho ao computador, da canetinha à bolsa ou bota de griffe, sem data ou sem merecimento, e com isso ensinam a relação entre querer e ter sem o espaço da conquista e do esforço. E aí como podemos esperar que filhos (as) sigam suas vidas pessoais e profissionais com determinação e empenho em estudar, trabalhar, crescer por mérito próprio? Isso leva tempo e implica em investimento, estudo, trabalho, suor, tem que esperar, semear, regar, para depois colher.

Crise de valores

Algumas pessoas questionam se não há uma crise de valores, um valor pessoal de não se sujeitar a ser usada, de ser submetida ao outro, e aí temos que entender que os valores pessoais que muitas vezes têm sido reforçados nas famílias desde a infância, estão ligados ao poder de ter coisas, status e isso já se percebe em crianças e suas famílias ainda na pré-escola. É cada vez mais difícil ver famílias que valorizem a pessoa pelo que se é e não só pelo que se tem.

Discurso

Mas o discurso dessas garotas não é muito diferente da maioria das mulheres que se prostitui em todos os lugares. Elas dizem que é passageiro, que vão juntar um valor para terem seu próprio negócio, e ainda que vão parar para viver um grande amor, casar e ter filhos.

Sabemos que muitas não terão um final não tão feliz. A depressão é companheira de muitas quando perdem esse espaço com o avançar da idade, já que essa carreira dura no máximo uns 10 anos. O poder de consumir torna-se um vício para muitas e o desejo de ter um negócio se distancia, crises existenciais fazem com que muitas se viciem em busca de um prazer ou de uma excitação, pois o sexo tende a se tornar banal, a carreira provavelmente dificilmente será recuperada e na tentativa de recuperá-la, terá de lidar com enfrentamentos dos quais fugiu anteriormente. Mas o mito do amor romântico, do ‘príncipe’ que a resgate para ser feliz, continuará sendo a esperança da maioria delas.

Fonte:  Arlete Gavranic/ Portal UOL

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