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terça-feira, 16 de dezembro de 2014

PSDB ou PT. Quem de fato não deveria merecer nosso voto?

Texto publicado no dia 18 de maio de 2014.

O Brasil tem um tumor político que precisa ser extirpado de nossas vidas e não se trata do Partido dos Trabalhadores - PT ou o Partido da Social Democracia Brasileira - PSDB, mas sim de um partido que transcende não apenas esses dois governos, mas que está aqui presente desde a retomada da democracia: O PMDB - Partido do Movimento Democrático Brasileiro.

O PMDB, que já teve dois presidentes da república (o maranhense José Sarney e o baiano Itamar Franco) nenhum dos dois por voto direto, hoje flerta com qualquer partido, independente de ideologia, posicionamento, ideário, etc., com o único intuito aparente de se manter no poder a qualquer custo independente do interesse coletivo e do bem estar da sociedade brasileira. Seu peso, tanto no Congresso Nacional quanto no Senado, é de tamanha relevância que é capaz de chantagear governos, definir pautas, impor a presidência e/ou membros de CPI's, estipular prioridades em votações no Congresso e Senado, enfim... Tudo isso sem mencionar as exigências de cargos em todos os escalões do governo, direção de empresas estatais, indicações políticas, etc.

O PMDB é hoje a maior ameaça à democracia brasileira. Contraditório até mesmo à sua história, hoje não se governa sem ele e é assim a décadas. Uma postura que estranhamente se mantém independente de quem de fato tenha sido eleito para o cargo máximo da política em nosso país. E agora às vésperas de uma nova eleição, talvez a mais polarizada de todas desde o retorno à democracia, não é incomum que este mesmo partido comece a causar problemas para a situação e dê inicio a um estranho flerte com a oposição, como se criasse um seguro, um contrato futuro, uma proteção que lhe garanta uma participação segura seja qual for o lado que vença, sempre à revelia de ideologias ou interesses sociais.

Ele, o PMDB, tem a plena noção de seu poder e de sua importância nas decisões políticas do Brasil. Não é uma situação que se muda de uma hora para outra, mas que pode ser revertida e/ou minimizada através da diminuição de seu poder através de sua menor participação nas decisões políticas da nação. E isso se faz por meio do voto. Mas voltaremos a esse ponto em momento oportuno.

Há menos de um mês da convenção nacional do PMDB, vêm crescendo demasiadamente a ala interna do partido que clama por neutralidade nas próximas eleições. Estranho isso ocorrer justamente neste momento em que a candidata da situação Dilma Rousseff do PT, vêm caindo nas pesquisas em contradição aos dois outros candidatos de maior peso na corrida eleitoral pelo Palácio do Planalto, que vêm experimentando altas consistentes nas pesquisas. Algo que soa como uma traição, um desrespeito ao PT. Mas não se iludam, isso já ocorreu uma vez no passado com o PSDB. Faz parte do jogo e das estratégias PMDBistas.

O que é mais escabroso nesse cenário e nesta postura de se manter no poder a qualquer custo é quando se confronta a atual atitude do PMDB com sua própria história. Proveniente do MDB - Movimento Democrático Brasileiro, movimento que surgiu em meados da década de 60 em oposição aos que apoiavam o regime militar e que se aglutinaram em torno da Aliança Renovadora Nacional - ARENA, o até então MDB sempre foi norteado por uma postura em prol dos direitos coletivos e restabelecimento da democracia no país, seja por vias diplomáticas, por meio de uma aproximação dos governos militares, seja pela força. Conflitos internos, a postura dos militares à época, a dificuldade em eleger seus membros durante as diversas eleições nas décadas de 60 e 70 minaram o Movimento, que chegou a quase ser extinto dada as condições que lhes eram impostas pelos militares, isso sem mencionar o apoio popular aos militares pela população nos anos iniciais da ditadura.

O PMDB, como conhecemos hoje surge em janeiro de 1980 diante de uma estratégia do regime militar em enfraquecer o Movimento, pulverizando a oposição que desde a década de 70 vinha ganhando o apoio popular. Esta estratégia propiciou também o surgimento do PT e outros partidos que até hoje estão presentes no cenário político brasileiro. Contrariando o pensamento militar, tal estratégia acabou por fortalecer o, agora, PMDB que teve o reconhecimento da população pelos anos de oposição ao regime militar e a luta pela redemocratização do país. O próximo passo seria restabelecer as eleições diretas no Brasil. Deu-se inicio ao Movimento Diretas Já, cujo o PMDB foi de suma importância, talvez o braço mais atuante nesta busca através da figura de Ulysses Guimarães. Mesmo frustrado por manobras políticas do governo militar à época (1984), as eleições diretas não foram possíveis naquele momento, mas fez emergir a figura de Tancredo Neves como uma alternativa à transição segura e pacífica dos governos militares até então e a redemocratização do país. A morte de Tancredo levou o seu vice, José Sarney ao poder e desde então o PMDB, nunca mais esteve longe dele.

Como um histórico desses pôde se perder ao longo de quase três décadas? O PMDB de hoje em nada se parece com sua história. Muito pelo contrário, a envergonha. Se vende absurdamente da forma mais baixa e torpe possível, não se compara se quer a uma prostituta, pois estas o fazem por necessidade, sobrevivência, e não pelo poder. O PMDB hoje simboliza a anti-democracia, a manutenção e permanência no poder a qualquer custo. Uma ditadura civil camuflada e mantida por um povo sem educação cívica, moral e ética, incapaz de pensar politicamente. A falta de uma ideologia, o oportunismo, a chantagem e a corrupção, parecem fazer parte de sua cartilha diária. Não que isso sejam elementos exclusivos desse partido, mas é nele que se evidencia de forma mais clara o que há de pior na política no Brasil, se evidencia como os interesses partidários se sobrepõe ao coletivo e à sociedade.

A se manter o atual cenário, importará muito pouco quem vencerá as próximas eleições se PT ou PSDB. Ambos necessitarão da maioria no Congresso e Senado, maioria esta cujo o peso do PMDB, incrivelmente, ainda, o maior partido do Brasil, é fundamental para a governabilidade do país. No entanto, a boa notícia é que podemos mudar este cenário já no curto prazo.

Independente do candidato de sua preferencia é de suma importância que sejamos capazes de implodir o PMDB e tirá-lo de forma definitiva da política brasileira. É necessário que dotemos PSDB, PT e até mesmo PSD/PV da governabilidade que necessitarão para governar e que os embates sejam de cume meramente ideológicos, mas jamais de interesses partidários escusos. A neutralidade iminente do PMDB, nos tira a "obrigação" de votar nele. Mesmo que PMDBistas optem pelo apoio a um ou outro candidato, é necessário que possamos fomentar uma mudança real dando poder de decisão ao candidato de nossa escolha e não continuar a promover essa chantagem cotidiana que PMDBistas, têm feito nos últimos anos nos bastidores da política brasileira. É de suma importância para a democracia brasileira termos a capacidade de dizer NÃO ao PMDB através de nosso voto. Fazer aquele partido repensar suas prioridades e redefinir sua postura e posicionamento político/ideológico aos moldes do que foi no passado ou deixá-lo agonizar até a sua extinção. Um triste fim para aquele partido que poderia nos orgulhar no presente e futuro. No Congresso é possível uma mudança radical e imediata, já no Senado a mudança pode demorar um pouco mais, mas é necessário que essa limpeza partidária se inicie de forma imediata. Pois o PMDB já se articula e tece estratégias para se manter mais quatro anos no poder (ou à sombra dele) independente de quem vença e à revelia dos interesses da população.

Que essa eleição não signifique uma derrota da situação ou da oposição, mas uma vitória PLENA da democracia. Independente de sua preferência e postura ideológica (esquerda ou direita, PSDB ou PT), para o bem do Brasil, NÃO VOTE NO PMDB.

Retirado do Facebook

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