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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

OUTRO BELO TEXTO DE APOLINÁRIO TERNES

Nos jornais, emissoras de rádio e tevê anunciam por todo o País a inexistência de água nas torneiras. O País passando por tórridas semanas de calor, em plena temporada de férias, e a população sem o líquido indispensável. Em Santa Catarina não é diferente. No entanto, há três décadas discute-se a inviabilidade da Casan.
No período, importantes cidades, Joinville no meio, deixaram o órgão estadual e criaram congêneres municipais. Prometeram às populações que, municipalizado, o serviço funcionaria. Pouco disso aconteceu. A Companhia Águas de Joinville é um exemplo, de novo. Falta água na cidade, e boa parte da população sofre com o calor e torneiras secas. A Casan, mesmo tendo diminuído de tamanho, com a perda de importantes municípios, continua tão ineficiente quanto antes. Mesmo assim, tem distribuído polpudas gratificações aos diretores, a título de lucro. Sim, a última diretoria distribuiu milhares de reais entre poucos afortunados.

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A questão da água repete-se em centenas de outros setores da administração. Como escrevemos aqui, trata-se de reconhecer que o serviço público entrou em colapso. As estruturas não funcionam em razão de excesso de gente, cabos eleitorais colocados aqui e ali em nome de coligações eleitorais e de sustentabilidade do governo. Com notável desprezo pela opinião pública, se faz isso em todas as esferas de governo. Os governantes cuidam, majoritariamente, de cargos e verbas. A governança pública, paralisada, assim se mantém. Então, faltam água nas torneiras, leitos nos hospitais, escolas regulares, mas há prédios públicos abandonados, como o da ex-Prefeitura de Joinville.

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É possível, afinal, que aconteça um efeito positivo em tanto mal-estar e precariedade. O sofrimento do povo e a percepção, sim, de que ele é o primeiro culpado. Ao votar nas indicações dos coronéis, bajular os ineficientes, aplaudir os demagogos, o povo, de forma indireta, autoriza tanto a falta de água quanto o desperdício do dinheiro. Como Dilma disse anteontem, ser denunciante disso é ser “cara de pau”. Essa, talvez, seja a pedagogia do Brasil aos pedaços que a presidente Dilma deseja manter por mais quatro anos. E, para isso, avisou: está pronta a “fazer o diabo”. Governadores imitam o exemplo. O povo deveria pensar no voto diante das torneiras secas e do suor pelo corpo a clamar por uma ducha. Poderia lavar a alma na eleição. E despachar pelo ralo tudo que está aí, pois o cheiro passou do suportável.

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