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sábado, 29 de setembro de 2012

COTAS DAS UNIVERSIDADES FEDERAIS

Reitor da UFF, Roberto Salles é um dos mais incisivos ao questionar a Lei de Cotas: para ele, querem “empurrar goela abaixo a aplicação da lei”. Ontem o reitor voltou a criticar a lei e disse que, se preciso, acionará a procuradoria da instituição contra a medida.
Na sua opinião, a forma como a lei está sendo imposta fere a autonomia das universidades?
Fere a partir do momento em que tivemos uma greve longa e a universidade precisa de tempo para se adequar à lei. Temos que formar uma comissão, por meio de nosso Conselho de Ensino e Pesquisa, e discutir como vamos aplicá-la. Além disso, sabemos que as famílias de muitos desses alunos não têm condições, ainda que more na Baixada Fluminense, de garantir que venham à universidade. E o dinheiro vindo do Programa Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes) é muito pouco.
Considera equivocada a existência de uma lei que unifique a questão das cotas para todas as universidades federais?
Claro. Porque temos diferenças regionais marcantes. Temos que ver quais são as dificuldades financeiras das famílias, independente da cor da pele. O pobre é pobre em qualquer esfera. Muitos congressistas foram prefeitos e governadores. Deveriam ter feito o dever de casa, que é melhorar o ensino infantil e básico. O Congresso transferiu para a universidade um problema, sem resolver o fundamental. Este ano, não tenho condições de aplicar e não vou aplicar a lei aqui na universidade.
A UFF, então, não vai aderir à lei para o próximo vestibular, independentemente da decisão final?
Não tem como, por uma questão de tempo. A prova do Enem já é no começo de novembro. Sequer houve discussão interna. Vamos nos preparar direito e estudar para não fazer uma coisa de maneira atabalhoada.
E como pretendem agir, caso haja determinação para isso?
Vamos acionar nossa procuradoria para discutir. Ninguém pode nos obrigar a simplesmente aplicar o que está escrito na lei. Se quisessem pressa, deveriam ter aprovado isso lá no começo do ano. É a mesma coisa que fazer uma partida de futebol e, depois de terminado o segundo tempo, mudar as regras do jogo.
O que senhor quis dizer ao afirmar que terá que “importar índios”?
Foi uma brincadeira. Não tenho nada contra eles. Eles são os donos da nossa terra. Queria mostrar que o Rio deve ter uma quantidade não tão grande de índios. Então, nesse segmento, podem sobrar vagas que não serão preenchidas só por índios. Podem ir para os alunos de escolas públicas, incluindo instituições como os colégios militares e de aplicação, que são muito bem preparados.
A lei sancionada foi pouco discutida?
Com certeza. Reitores nunca foram ouvidos e chamados para conversar sobre o assunto. Acho que junto à Lei de Cotas deveria ser aprovada outra para o cumprimento do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), já que muitos prefeitos não o cumprem. Como se pode exigir uma boa educação se, em várias regiões do Brasil, uma professora ganha entre R$ 300 e R$ 500? Não é a universidade que vai mudar o país.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/vestibular/reitor-da-uff-reitera-que-nao-vai-aderir-lei-de-cotas-para-2013-6237712#ixzz27tuSNd1s
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Fonte: Jornal O Globo - Rio de Janeiro (29/09/2012)

Um comentário:

Cloudy disse...

Lieben Gruß und sonnigen Tag!
CL