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quarta-feira, 27 de julho de 2011

A eficácia da mídia


Religião e política são coisas que o homem inventou para se proteger de si mesmo. Até aí tudo bem. O problema é que sempre tem uma turma de outro bairro que teve a mesma idéia. É quando o "se proteger de si mesmo" passa a ser "proteger-se dos outros". E para proteger-se da turma do outro bairro, fazer a informação jogar em casa é fundamental.

Quando o planeta foi varrido pelas primeiras notícias desta bomba seguida de chacina ocorrida na Noruega, apareceu no meio da gritaria a suspeita de sempre: prováveis "células" muçulmanas. Na verdade, não era nada disso. Pelo contrário, o autor da barbaridade é ocidental, nórdico, cristão fundamentalista, islamófobo. Mas, para a grande maioria da massa, que não perde tempo lendo detalhe ou que simplesmente não gosta de consumir violência, ficou a impressão de que a coisa tinha o dedo dos "árabes".

Tem sido sempre assim, nas terras de Caim, com uma ajudinha do Bin.

A chamada "Guerra Fria" já era bem coisa do passado em julho de 2002. Mas os vícios ainda existiam. Na noite de 1 de julho daquele ano, dois aviões colidiram sobre a Alemanha, em espaço aéreo coordenado por uma empresa suiça. Um dos aviões era um Boeing cargueiro de bandeira norte-americana. O outro era um Tupolev de bandeira russa, cheio de crianças. A desinformação correu com pernas longas. O planeta acordou no dia 2 abalado com a notícia de que uns pilotos russos incompetentes não haviam obedecido as ordens dos controladores, cortando a frente de um inocente cargueiro americano e causando um acidente horrível. Era mentira. A informação só foi sendo editada aos poucos, em letras menores, em páginas cada vez mais internas. O erro fora do controle de tráfego aéreo. Os culpados foram condenados. Mas... muitos ficaram só com a notícia, aquela que mostrava russos cortando a frente de americanos e matando crianças inocentes.

De Oslo a Realengo, passando pelo espaço aéreo alemão, a notícia corre sempre empurrada por vento forte enquanto a informação desliza em briza fraca. Quando as reportagens já haviam esgotado o sangue ao vivo da escola massacrada de Realengo e foram bisbilhotar o cafofo onde o atirador havia morado seus últimos dias, surgiu logo a versão de que o infeliz era adepto do islamismo, fã do Bin Ladem. Só depois surgiu o perfil de um maluco encharcado de religião, profundo estudioso do cristianismo.

Para a minha diarista, Maria do Perpétuo Socorro, a coisa toda era muito clara. Disse ela: "Esse Wellington (o louco de Realengo) devia ter ido morar lá pros lados daqueles do Irã, que vivem se matando". Fruto da mídia, pura eficácia da mídia.

Milton Wendel

Um comentário:

suzete boschi disse...

Estudioso do cristianismo não é um cristão.