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domingo, 27 de fevereiro de 2011

Texto de José Antonio Baço repercute

Jordi Castan e Paulo Curvello citaram o texto escrito pelo jornalista José Antonio Baço que foi publicado no jornal A Notícia desse domingo.A seguir o texto na integra para quem ainda não leu.

* CARLITO, O PREFEITO-NOLFET

Lula era o presidente-teflon. A grande imprensa estava sempre a jogar lama no seu nome, mas nada colava. E agora temos Carlito, o prefeito-nolfet. É o contrário, porque nele tudo cola. Aliás, se tem uma coisa que deu para perceber na minha passagem por Joinville é que o prefeito é culpado de tudo.

Bater no homem virou uma espécie de desporto local, que faz o gosto das pessoas mais simples e também as que têm maior poder de intervenção. Há coisas do arco da velha. Ouvi de uma empregada doméstica expressões que continham o mais profundo desrespeito. Exemplo:

Esse aí é um jaguara.

Quando as pessoas do povo sentem liberdade para dizer algo assim, é a morte do artista. E na dita imprensa vi aselhices que, mesmo beirando a insanidade, parecem colar. Exemplo? Eis a tese: Carlito é culpado pelos estropiados no trânsito. Duvida? Então siga o raciocínio. Ele aumentou a tarifa do ônibus. As pessoas passam andar de carro ou moto. Há mais tráfego nas ruas. Aumentam os acidentes. Há mais mortos e feridos. E pronto: a culpa é do Carlito. Viu? É pura lógica. E alguém fez esse exercício.

Aliás, fico a imaginar o que pensa aquele servente de pedreiro lá no Jariva:

– O ônibus está caro e eu não tenho grana. Ah... então vou comprar uma moto ou um carro.

QUEM NÃO COMUNICA... – O fato é que Carlito sofreu desgaste naquilo que deveria ser o seu maior capital: a imagem. É certo que falta muito tempo para as eleições e tudo pode acontecer. Mas o capital político do prefeito se esvaiu e hoje as pessoas discutem apenas quem será o seu sucessor. Ninguém acredita na sua reeleição. Aliás, ouvi mesmo um questionamento: será que vale a pena ele sair candidato?

Ok… não podemos dizer que umas semanas em Joinville e muitas conversas informais sirvam como pesquisa de opinião. Mas são um indicativo das tendências e é bom levar em conta. Aliás, fico a perguntar se essas coisas não chegam aos ouvidos do prefeito. Ou será que os bajuladores adocicam as notícias que chegam ao gabinete na Herman August Lepper?

E há um fato muito interessante. As pessoas que conhecem o prefeito pessoalmente são unânimes: ele é sério, quer acertar e está efetivamente interessado em fazer um bom trabalho. Então, qual a razão para ter esse gap entre a realidade e a percepção?

Vou parafrasear. Há um ditado que diz o seguinte: “À mulher de César não basta ser honesta, é preciso parecer honesta”. E, no caso do prefeito, não basta ser comprometido, tem de parecer comprometido. Nos dias de hoje, governar é mais que fazer obras. É comunicar. Aliás, o próprio prefeito reconheceu, há alguns meses, que a comunicação era o seu problema. Mas ainda não encontrou uma solução.

ARTILHARIA PESADA – Em uma cidade onde a disputa política movimenta muitas forças sequiosas de poder, há quem não se importe de usar artilharia pesada. É preciso estar atento. Carlito e os seus assessores deveriam saber disso. E estavam avisados para o fato de que era essencial blindar a imagem do prefeito, criar mecanismos para evitar que ele se tornasse um alvo direto. Mas isso não foi feito. E o estrago para a sua imagem talvez seja irrecuperável até as eleições. A não ser que tenham uma improvável carta nas mangas.

Qual é o problema? Ora, qualquer bom gestor sabe que deve se cercar de pessoas mais competentes que ele. É bom estar cercado por pessoas de confiança, mas a competência é essencial. No entanto, os gabinetes da prefeitura parecem estar cheios de gente sem imaginação, sem capacidade de resolver problemas e talento para antecipar soluções criativas. E o pior: algumas dessas pessoas parecem distraídas pelo gostinho do poder.

É como diz o velho deitado: “Nada é mais arrasador que uma oportunidade perdida”.

Fonte:Jornal A Notícia(27/02/2011)

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