sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

UM "SOLITÁRIO" ALERTA

Trágico e profundo o alerta que infelizmente, se perde nos ouvidos moucos dos responsáveis
pela EDUCAÇÃO no BRASIL. Se você como eu, concorda com o teor do texto abaixo, divulgue!
Esta é a única forma de demonstrarmos a nossa indignação.
Educação se faz primordialmente nos primeiros anos de vida e no reduto do lar, nunca na escola como querem alguns desinformados.

Brasília (DF), janeiro de 2011
Amigos,

Embora há muito tempo desligado como
ex-professor do 'Instituto Metodista Izabela Hendrix' em Belo Horizonte (MG), fiquei
profundamente consternado com o caso do universitário que em suas dependências, revoltado
com suas notas baixas, cravou uma faca no coração de seu professor, na
cantina e em pleno horário escolar, à frente de todos.

Escrevi um desagravo e na minha opinião, a pérfida ilusão
vendida a muitos alunos despreparados, sobre a escola e a vida, como
lugares supostamente cheios de direitos e pobres em deveres, acaba por
contribuir para ambientes propensos à violência moral e física.

Espero que se concordarem com os termos, repassem adiante, sem
moderação. A divulgação é livre.

Abraços,

Igor Pantuzza Wildmann
Advogado, Doutor em Direito e Professor Universitário.

' J’ACUSE'!
EU ACUSO!
Tributo ao professor 'Kássio Vinícius Castro Gomes'.


'Mon devoir est de parler, je ne veux pas être complice'. Émile Zola

'Meu dever é falar, não quero ser cúmplice'. Émile Zola


Foi uma tragédia fartamente anunciada. Em milhares de casos,
de desrespeito. Em outros tantos, escárnio. Em Belo Horizonte, um
estudante processa a escola e o professor que lhe deu notas baixas,
alegando que teve danos morais ao ter que virar noites estudando para
a prova subsequente. Notem bem: o alegado 'dano moral' do estudante
foi ter que... estudar!

A coisa não fica apenas aí. Pelo Brasil afora, ameaças
constantes. Ainda neste ano, uma professora brutalmente espancada por
um aluno. O ápice desta escalada macabra não poderia ser outro.

O professor 'Kássio Vinícius Castro Gomes' pagou com sua vida, com
seu futuro, com o futuro de sua esposa e filhas, com as lágrimas
eternas de sua mãe, pela irresponsabilidade que há muito vem tomando
conta dos ambientes escolares.

Há uma lógica perversa por trás dessa asquerosa escalada. A
promoção do desrespeito aos valores, ao bom senso, às regras de bem
conviver e à autoridade, que elevada a método de ensino, é imperativo de
convivência supostamente democrática.

No início, foi o maio de 68 em Paris: Gritava-se nas ruas que
'era proibido proibir'. Depois, a geração do 'não bate, que
traumatiza”. A coisa continuou: “Não reprove, que atrapalha'. Não dê
provas difíceis, pois 'temos que respeitar o perfil dos nossos
alunos'. Aliás, 'prova não prova nada'. Deixe o aluno 'construir seu
conhecimento.' Não vamos avaliar o aluno. Pensando bem, 'é o aluno que
vai avaliar o professor'. Afinal de contas, ele está pagando...

E como a estupidez humana não tem limite, a avacalhação geral
epidêmica, travestida de 'novo paradigma', prosseguiu a todo
vapor, em vários setores: 'O bandido é vítima da sociedade', 'Temos
que mudar tudo isso que está aí’, 'Mais importante que ter
conhecimento é ser ‘crítico’.

Claro que a intelectualidade rasa de pedagogos de panfleto e
burocratas carreiristas ganhou um imenso impulso com a mercantilização
desabrida do ensino: Agora, o discurso anti-disciplina é anabolizado
pela lógica doentia e desonesta da paparicação ao aluno, cliente...

Estamos criando gerações em que uma parcela considerável de
nossos cidadãos é composta de adultos mimados, despreparados para os
problemas, decepções e desafios da vida, incapazes de lidar com
conflitos e pior, dotados de uma delirante certeza de que “o mundo
lhes deve algo”.

Um desses jovens, revoltado com suas notas baixas, cravou uma
faca com dezoito centímetros de lâmina, bem no coração de um
professor. Tirou-lhe tudo o que tinha e tudo o que poderia vir a ter,
sentir, amar.

Ao assassino, corretamente, deverão ser concedidos todos os
direitos que a lei prevê: O direito ao tratamento humano, o direito à
ampla defesa, o direito de não ser condenado em pena maior do que a
prevista em lei. Tudo isso e muito mais, fará parte do devido
processo legal, que se iniciará com a denúncia a ser apresentada pelo
Ministério Público. A acusação penal ao autor do homicídio covarde
virá do promotor de justiça. Mas, com a licença devida ao célebre
texto de Emile Zola, 'EU ACUSO' tantos outros que estão por trás do cabo
da faca:

'EU ACUSO' a pedagogia ideologizada, que pretende relativizar tudo
e todos, equiparando certo ao errado e vice-versa;

'EU ACUSO' os pseudo-intelectuais de panfleto, que romantizam a
“revolta dos oprimidos”e justificam a violência por parte daqueles que
se sentem vítimas;

'EU ACUSO' os burocratas da educação e suas cartilhas do
politicamente correto, que impedem a escola de constar faltas graves
no histórico escolar, mesmo de alunos criminosos, deixando-os livres
para tumultuar e cometer crimes em outras escolas;

'EU ACUSO' a hipocrisia de exigir professores com mestrado e
doutorado, muitos dos quais no dia a dia, serão pressionados a dar
provas bem tranqüilas, provas de mentirinha, para “adequar a avaliação
ao perfil dos alunos”;

' EU ACUSO' o Ministério da Educação que em nome de
estatísticas hipócritas e interesses privados, permite a
proliferação de cursos superiores completamente sem condições,
freqüentados por alunos igualmente sem condições de ali estar;

'EU ACUSO' a mercantilização cretina do ensino, a venda de
diplomas e títulos sem o mínimo de interesse e de responsabilidade com
o conteúdo e formação dos alunos, bem como de suas futuras missões na
sociedade;

'EU ACUSO' a lógica doentia e hipócrita do aluno-cliente, cada vez
menos exigido e cada vez mais paparicado e enganado, o qual finge que
não sabe que, para a escola que lhe paparica, seu boleto de pagamento de hoje, vale
muito mais do que seu sucesso e sua felicidade amanhã;

' EU ACUSO' a hipocrisia das escolas que jamais reprovam seus
alunos, as quais formam analfabetos funcionais só para maquiar
estatísticas do IDH e dizer ao mundo que o número de alunos com
segundo grau completo cresceu 'tantos por cento';

'EU ACUSO' os que aplaudem tais escolas e ainda trabalham pela
massificação do ensino superior, sem entender que o aluno que ali
chega deve ter o mínimo de preparo civilizacional, intelectual e
moral, pois estamos chegando ao tempo no qual o aluno 'terá direito'
de se tornar médico, engenheiro ou advogado, sem sequer saber escrever, tudo para o
desespero de seus futuros clientes-cobaia;

'EU ACUSO' os que agora falam em promover um 'novo paradigma',
uma 'nova cultura de paz', pois o que se deve promover é a boa e
VELHA cultura da 'vergonha na cara', do respeito às normas, à
autoridade e do respeito ao ambiente universitário como um ambiente de
busca do conhecimento;

'EU ACUSO' os 'cabeça–boa' que acham e ensinam que disciplina é
'careta', que respeito às normas é coisa de velho decrépito,

'EU ACUSO' os métodos de avaliação de professores, que se tornaram
templos de vendilhões, nos quais votos são comprados e vendidos em
troca de piadinhas, sorrisos e notas fáceis;

'EU ACUSO' os alunos que protestam contra a impunidade dos
políticos, mas gabam-se de colar nas provas, assim como 'ACUSO' os
professores que vendo tais alunos colarem, não têm coragem de aplicar
a devida punição.

EU 'VEEMENTEMENTE ACUSO' os Diretores e Coordenadores que impedem
os professores de punir os alunos que colam, ou pretendem que os
professores sejam 'promoters' de seus cursos;

'EU ACUSO' os Diretores e Coordenadores que toleram condutas
desrespeitosas de alunos contra professores e funcionários, pois sua
omissão quanto aos pequenos incidentes é diretamente responsável pela
ocorrência dos incidentes maiores;

Uma multidão de filhos tiranos que se tornam alunos-clientes,
serão despejados na vida como adultos eternamente infantilizados e
totalmente despreparados, tanto tecnicamente para o exercício da
profissão, quanto pessoalmente para os conflitos, desafios e decepções
do dia a dia.

Ensimesmados em seus delírios de perseguição ou de grandeza,
estes jovens mostram cada vez menos preparo na delicada e essencial
arte que é lidar com aquele ser complexo e imprevisível que podemos
chamar de 'o outro'.

A infantilização eterna cria a seguinte e horrenda lógica, hoje
na cabeça de muitas crianças em corpo de adulto: 'Se eu tiro nota
baixa, a culpa é do professor. Se não tenho dinheiro, a culpa é do
patrão. Se me drogo, a culpa é dos meus pais. Se furto, roubo, mato, a
culpa é do sistema. Eu, sou apenas uma vítima. Uma eterna vítima. O
opressor é você, que trabalha, paga suas contas em dia e vive sua
vida. Minhas coisas não saíram como eu queria. Estou com muita raiva.
Quando eu era criança, eu batia os pés no chão. Mas agora,
fisicamente, eu cresci. Portanto, você pode ser o próximo.'

Qualquer um de nós pode ser o próximo, por qualquer motivo. Em
qualquer lugar, dentro ou fora das escolas. A facada ignóbil no
professor Kássio dói no peito de todos nós. Que a sua morte não seja
em vão. É hora de repensarmos a educação brasileira e abrirmos mão dos
modismos e invencionices. A melhor 'nova cultura de paz' que podemos
adotar nas escolas e universidades é fazermos as pazes com os bons e
velhos conceitos de seriedade, responsabilidade, disciplina e estudo
de verdade, do tempo de nossos pais.

Igor Pantuzza Wildmann
Advogado, Doutor em Direito. Professor Universitário.

Colaboração:Celso Antonio Oliveira,Alegrete-RS

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