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sábado, 20 de novembro de 2010

Um texto realista(pena que cairá no esquecimento)

A falta do padroeiro

Sempre que circulo por um dos shoppings da cidade, fico remoendo o mesmo raciocínio: quando empresários terão a ideia de reinventar o shopping? Joinville poderia dar essa contribuição ao resto do planeta, afinal, já temos aqui o que serão os shoppings do futuro. Nas chamadas “catedrais do consumo”, o futuro será de quatro locações: área de alimentação, cinema, banheiros e setor de dança, este último como inovação. É o que basta. O resto funcionaria como decoração e para mostrar (nas vitrinas) aos que circulam os lançamentos da moda. É o que acontece, por exemplo, de forma nítida e clara a quem se dê a observar o comportamento dos frequentadores desses estabelecimentos. Nas tardes de domingo, os jovens lotam esses ambientes em busca de lanche, banheiro, eventualmente um cinema (sem pipoca) e de paquera. Consumo zero.

Decantada como a mais “rica e populosa” cidade de Santa Catarina, é um mistério como se sustentam os lojistas instalados nessas áreas de circulação de jovens e adultos. E tem shopping quase vazio. De fato, trata-se de mágica digna de estudos sobre administração e empreendedorismo. A rica Joinville tem índice de consumo dos menores do País, continua com um dos piores índices de saneamento e tudo aqui nos últimos anos empaca em mediocridade. Do time de futebol que não para de andar para trás, até obras públicas que não saem de jeito nenhum. E quando saem, precisam de reformas em poucas semanas.

Na área do empreendedorismo, ficamos até sem a festinha mixuruca no mês de outubro. Nem aquelas “armações” de última hora conseguem fazer mais. Continuamos sem parque, apesar de promessas de dez, há dez anos. Os prédios da cultura desabam, paredes e telhados despencam. E permanecem interditados por meses e meses. Para o campus da UFSC, empurraram a área de maior alagamento e cheia de outros entraves técnicos. A UFSC se instalará mesmo na Univille e amanhã ou depois, quando chegar à Presidência da República um “amigo da cidade”, é só federalizar o “campus” inteiro, raciocinam as lideranças.

Estamos engatinhando em quase tudo e, mesmo assim, somos anunciados como um “paraíso” cheio de verdes, ciclovias e atrações turísticas como a Festa das Flores que, a cada ano, recebe “milhares de visitantes”. Não vai demorar e teremos a “maior festa das flores do mundo”. E dois recordes no “Guinness Book” para exibir para Blumenau e Florianópolis. Até para definir um padroeiro a cidade não se entende e a Câmara paga mico. Um atrás do outro, aliás.

Em cidades de renda per capita baixa, com populações operárias, os shoppings poderão ter utilidade se transformados em áreas de “interação social”, o simples e delicioso namoro de sempre. Área básica de alimentação, instalações sanitárias, um cinema para 55 espectadores (sem exagero de som, por favor) e, como atração especial, a área de estacionamento de carros adaptada para “tardes de rock”, com som maneiro para a garotada. No futuro, os shoppings serão assim, só para namorar. Também nisso estamos na frente, dirão os ingênuos e os líderes do atraso em que a cidade se meteu.

aternes@terra.com.br

Apolinário Ternes,é historiador e jornalista
Fonte:Jornal A Notícia(21/11/2010)

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