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quarta-feira, 30 de junho de 2010

Brasileiros aproveitam câmbio favorável para comprar na Argentina

Vinhos, produtos de higiene pessoal e gasolina custam até metade do preço em cidades argentinas na fronteira com o Brasil

Muitos moradores do oeste da região Sul do país pagam o supermercado com cartão de crédito internacional. Ao atravessar a fronteira com a Argentina, a moeda brasileira vale o dobro e as compras saem pela metade. O real valorizado criou um movimento de consumidores rumo à Argentina, que fortalece a economia das cidades do país e gera uma crise no varejo brasileiro local.

O município de Bernardo de Irigoyen, na província de Misiones, é um dos beneficiados pela alta do real em relação ao peso. Localizado na divisa com duas cidades brasileiras _Barracão (PR) e Dionísio Cerqueira (SC)_, o município tem uma população de cerca de 15 mil habitantes, mas recebe em média 2.000 veículos brasileiros por dia, de acordo com estimativas de Arnaldo Borteze, inspetor-chefe da Receita Federal em Dionísio Cerqueira, responsável pelo controle da fronteira. “No final de semana, esse número dobra e, nos feriados, mais que triplica”, afirma.

Entre esses consumidores está Bruno Behr Neto, morador de Pato Branco (PR), município localizado a 120 km da Argentina. Ele viaja a Bernardo de Irigoyen todo mês para comprar, principalmente, vinhos, farinha e produtos de higiene e limpeza. “Os vinhos saem por um terço do preço [em relação ao Brasil]. Os outros produtos custam a metade ou até menos”, afirma Behr.

Um desodorante roll on da marca Dove, por exemplo, que custa cerca de R$ 7 no Brasil, sai por 8 pesos na Argentina, ou seja, cerca de R$ 4, segundo apurou o iG. E uma lata de 1,5 litro óleo de girassol custa menos na Argentina (R$ 3,22) do que o de uma lata menor, com 900 ml, do mesmo produto no Brasil _(R$ 4,00 a R$ 4,50).

Preços menores e produtos argentinos nas prateleiras são praticamente as únicas diferenças que os brasileiros encontram nos supermercados de Bernardo de Irigoyen em relação ao varejo brasileiro. Quase todos os atendentes falam português e os pagamentos podem ser feitos em real, além de peso e dólar. A conversão é feita na hora e adota o câmbio um pouco maior do que o oficial _ R$ 0,50 vale 1 peso. Quem paga com cartão de crédito tem a vantagem de usar o câmbio oficial _ R$ 0,45 na cotação de segunda-feira.

Gasolina e pneu

Foto: Marina Gazzoni, iG São Paulo

Postos argentinos divulgam preço em real

Os consumidores brasileiros também aproveitam a viagem para abastecer o carro. Em um posto visitado pelo iG, a gasolina custava R$ 1,81, valor inferior ao cobrado nos postos do oeste de Santa Catarina e do Paraná _cerca de R$ 2,50.

Outro produto visado é o pneu, mas a compra é proibida pela Receita Federal. Mesmo assim, muitos estabelecimentos argentinos vendem o produto, exclusivamente ou não. “O pneu não é um produto de bagagem e deve entrar no país por meio de um processo de importação”, afirma o inspetor da Receita. Segundo ele, todos os dias são apreendidos pneus _muitos já colocados nas rodas dos carros.

“A prática comum para tentar driblar a Receita é retirar os pneus velhos na Argentina, colocar novos no carro e passar por uma estrada de lama para tentar camuflar os pneus novos. Se a Receita pegar, tem que tirar o pneu.”

Fonte:economia.ig.com.br(30/06/2010)

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