sábado, 29 de maio de 2010

Situação preocupante

Dói no bolso

Alta carga tributária faz brasileiro desembolsar muito mais pelos mesmos produtos que são vendidos também em outros países. Taxação excessiva pode atrapalhar meta de crescimento previsto para a economia em 2010

O tão cobiçado celular iPhone 3GS 16 GB, da Apple, é vendido nos Estados Unidos por US$ 97 (R$ 176). Na melhor das hipóteses, chega às lojas brasileiras por um preço três vezes mais alto. Com o Corolla, da Toyota, o carro mais vendido no mundo, a conta é parecida.

E além de pagarmos mais pelos produtos, ganhamos menos, o que compromete o consumo. O chamado Custo Brasil é a pedra no sapato do desenvolvimento e, se não for retirada ou diminuída, pode atrapalhar a caminhada pelo crescimento de 6% do PIB previsto para este ano.

Para o trabalhador brasileiro, o ano começou no sábado. Pelo menos, para o bolso. Se todos os tributos federais, estaduais e municipais fossem pagos de uma só vez, e sem nenhum outro gasto, sexta-feira teria sido o último dia de trabalho para zerar essa fatura.

Mas não é só a carga tributária que corrói os rendimentos do cidadão. Burocracia, falta de infraestrutura, ineficiência do serviço público, valorização do real, concentração de empresas num mesmo setor e altas taxas de importação são outros fatores que compõem o tal Custo Brasil, que faz com que produtos sejam muito mais caros aqui, em comparação outros países.

No caso dos carros, o Nano, da indiana Tata Motors, é considerado o mais barato do mundo. Naquele país, custa US$ 2,1 mil (R$ 4,5 mil). Se fosse vendido no Brasil, custaria três vezes mais: R$ 14,5 mil. O cálculo foi feito pelo professor Francisco Barone, da FGV, em 2009. O preço é menor do que o do carro mais barato vendido no país, o Uno Mille 2011, que sai por R$ 22,6 mil.

A classe média é a mais prejudicada – gasta 42,94% da renda bruta em pagamento de impostos, contra 38,48% dos mais pobres e 41,63% dos mais ricos. Os dados são do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT).

Segundo o presidente do IBPT, João Eloi Olenike, o sistema tributário brasileiro dificulta a formação de patrimônio. Ele compara com os EUA e a União Europeia, onde a taxação não incide tanto sobre o consumo e sim sobre o lucro e o patrimônio. A lógica é deixar fazer a riqueza para depois tributar. No Brasil, mal se permite prosperar. Além de onerar o consumo, tributa-se o faturamento, que não é lucro, e o salário, que não é renda, no sentido de investimento.

Outro problema é a aplicação dos recursos. Estudo do movimento Brasil Eficiente mostra que desde a Constituição de 1988, o Brasil multiplicou em oito vezes os gastos assistenciais e ampliou apenas 0,9 vezes os recursos para a saúde e 0,4 os para investimentos.

alicia.alao@diario.com.br

ALÍCIA ALÃO

Fonte: Jornal Diário Catarinense(30/05/2010)

Um comentário:

Jorge Silva disse...

“O peixe morre pela boca" dito popular.

"Criamos uma sociedade onde tudo tem um preço e poucas coisas tem realmente valor." Jacques Cousteau.
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Somos todos responsáveis pelo modelo de sociedade vigente.

Uma sociedade que norteia seus valores apenas pelos índices econômicos, desprezando os valores éticos para alcançar seus objetivos, poderia resultar em quê?

Fomos doutrinados e doutrinamos nossas crianças desde cedo nas "escolas" para se tornarem "cidadãos esclarecidos e comportados, competitivos, produtivos, e bons consumidores".

“Estudem, e trabalhem para ser alguém na vida, meus filhos.”

A “classe média” é marionete do capitalismo, aprisionada na inversão de valores, no falso “padrão qualidade de vida”, onde o clichê "Ter é mais importante que Ser" se fazendo presente, não poderia gerar outro resultado.

Líderes religiosos e governantes ambiciosos e mal qualificados que não praticam o que pregam, legisladores sem compaixão que criam leis que os tornam impunes à elas, economistas inescrupulosos que decidem o "Risco Brasil" apenas para defender seus empregos, formadores de opinião vaidosos e vulgares transmitindo seus falsos valores para a população vazia e ávida de alguém que lhes diga como agir, professores que trabalham apenas por causa do salário e usam a profissão e os alunos como pára-raios, alunos que vêem seus professores como inimigos ou serviçais, intelectuais interessados apenas em demonstrar "cultura erudita e cosmética" que não transforma para melhor a sociedade, ao contrário, a mantém alienada e ocupada, pensando que celulares, toda a parafernália eletrônica e carros são as coisas mais importantes do mundo, famílias desestruturadas pela falta de Amor nos lares, enfim, seres humanos materialistas, voltados apenas para a luta pela sobrevivência diária, em detrimento da formação moral, ética, não poderia nos levar à outro lugar!

Cada nação tem os líderes que merece e vice-versa! Somos todos co-cr iadores do que estamos vivenciando! E isso é regido pela Lei de Causa e Efeito, Ação e Reação!

Enquanto norteamos nossas vidas por contas bancárias, seremos esse fracasso que se vê estampado em todas as mídias.

O que deveria ser regra é exceção e vice-versa. Para sair desse círculo vicioso, só mudando os valores do ser humano enquanto coletivo para uma direção em que os princípios espirituais (não religiosos) sejam mais importantes que os interesses pessoais.

Não se preenche vazio existencial com sucesso material.