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quarta-feira, 26 de maio de 2010

Polêmica na astronomia brasileira

A Astronomia brasileira, um setor basicamente subordinado aos ministérios da Ciência e Tecnologia e da Educação, que engloba duas escolas superiores em todo o País e menos de mil astrônomos, está discutindo se entra, ou não, de sócio no gigantesco telescópio de 42 metros de diâmetro (E-ELT) que a ESO - European Organisation for Astronomical Research in the Southern Hemisphere - está construindo a noroeste de Antofagasta, no Chile.

O custo imediato de entrar na empreitada, ao lado das 14 nações européias que participam do ESO e que estão construindo o E-ELT, é de 130 milhões de euros e cada anuidade será de 13,6 milhões de euros. É aí que começa a discórdia. Só para comparação, o orçamento anual do programa aeroespacial brasileiro é de 125 milhões de dólares. Não existe um orçamento brasileiro específico para astronomia. Mas pode ser estimado. O Observatório Nacional tem um orçamento de 8,2 milhões de reais (2009). As demais entidades funcionam subordinadas a universidades. O total dos investimentos anuais do Brasil em Astronomia seguramente não supera 30 milhões de reais.

Os que defendem a entrada do Brasil no novo telescópio E-ELT, alegam que o investimento é pequeno diante do retorno que trará a médio e longo prazo. Os que discordam, mostram a disparidade entre o que o Brasil investe na educação de base, também para a formação de uma "massa crítica" em astronomia, e o que se quer investir numa iniciativa de ponta - e questionam se o Brasil tem contingente solicitando tal investimento.

O Brasil já é socio de dois telescópios no Chile. O SOAR e o Gemini Sul, ambos em Cerro Pachón, mais ao Sul, perto de Santiago. O SOAR é um telescópio em que o Brasil participa com as nações da comunidade britânica, mais Argentina, Chile e EUA. O Gemini Sul é uma parceria entre EUA e Brasil e faz dupla com o Gemini Norte, situado no pico Mauna Kea, Hawai. Nos dois, a participação brasileira ainda não ocupa todos os horários de que dispõe. Os defensores do novo investimento citam deficiências nos dois telescópios, o outro lado desmente e observa que eles ainda estão na fase de adaptação. Há ainda um outro argumento: o de que o super grande telescópio ainda não foi construido e a previsão de que ele funcione perfeitamente bem é só uma previsão.

Os defensores da participação do Brasil no E-ELT apregoam a possibilidade de construtoras brasileiras participarem na obra civil de construção do telescópio. Os contrários lembram que isto não constitui investimento em educação ou astronomia. E que as licitações para a obra não descem na minúcia de privilegiar empresas de paises consortes do projeto. Os defensores do investimento dizem que industrias brasileiras poderão participar, também, do fornecimento de componentes para o telescópio em si, o que seria de fato um fator de desenvolvimento da Astronomia brasileira. Os contrários lembram que o Brasil saiu da ISS (International Space Station) porque as empresas brasileiras que se comprometeram a fornecer peças para a estação, não conseguiram cumprir os contratos.

A polêmica está aberta. Os que defendem a entrada do Brasil, têm pressa, porque querem conseguir ainda este ano a possibilidade de participação das empreiteiras brasileiras na obra (Queiroz Galvão e OAZ estão envolvidas na manobra).

Mais informações:

Astronomia do Brasil olha para o futuro - http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100516/not_imp552418,0.php

"Indústria brasileira poderia fabricar parte do telescópio gigante" - http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100516/not_imp552410,0.php

Colaboração:Milton Wendel

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